O ataque: o que aconteceu
Uma manhã de celebração virou horror em Minneapolis. Por volta das 8h30 (horário local) desta quarta-feira, 27 de agosto de 2025, tiros atravessaram as janelas da capela da Annunciation Catholic School, onde alunos participavam de uma missa de volta às aulas. Duas crianças, de 8 e 10 anos, foram mortas no banco da igreja. Outras 17 pessoas ficaram feridas, entre elas 14 crianças de 6 a 15 anos e três idosos na faixa dos 80. Segundo o chefe de polícia Brian O'Hara, todos os feridos devem sobreviver.
No tiroteio em Minneapolis, a sequência foi rápida e desorientadora. Testemunhas relataram correria dentro da capela e a tentativa de professores e voluntários de abrigar as crianças nas salas vizinhas. Equipes médicas chegaram em minutos e montaram um ponto de triagem no próprio complexo escolar para encaminhar as vítimas a hospitais da região.
As primeiras informações indicam que o atirador disparou do lado de fora contra as janelas da igreja e, em seguida, entrou no prédio. A polícia encontrou o suspeito no fundo da igreja, já sem vida, após um disparo autoinfligido. Não há indicação de outros envolvidos. A área foi isolada, e pais foram orientados a buscar os filhos em um ponto de reunificação definido pela escola e pela polícia.
- Duas crianças morreram; 17 pessoas ficaram feridas.
- O ataque ocorreu dentro do complexo escolar, durante a missa de volta às aulas.
- A suspeita foi encontrada morta no local; não há ameaça ativa à comunidade, segundo a polícia.
- O FBI ingressou na investigação e trabalha com a polícia de Minneapolis.
- Um fundo de apoio às vítimas foi criado pela Minneapolis Foundation.
Hospitais locais reportaram atendimento principalmente a ferimentos de arma de fogo em membros e cortes causados por estilhaços de vidro, além de casos de crise de ansiedade entre alunos e familiares. Conselheiros e equipes de apoio psicossocial da rede escolar e da arquidiocese foram mobilizados para acompanhar crianças e professores.
Quem era o suspeito e como avança a investigação
A polícia identificou a autora dos disparos como Robin Westman, 23 anos. Registros públicos mostram que Robin nasceu como Robert Westman e, em 2020, obteve na Justiça a mudança de nome, com documentação indicando identidade feminina. De acordo com as autoridades, ela não tinha histórico criminal extenso ou conhecido. O motivo do ataque segue desconhecido.
Investigadores recolheram evidências na igreja e em áreas externas, incluindo cápsulas deflagradas e imagens de câmeras de segurança do quarteirão. O trabalho agora se concentra em traçar a origem da arma, mapear deslocamentos de Robin antes do ataque e analisar dispositivos eletrônicos que possam indicar planejamento, eventuais ameaças prévias ou manifestações de intenção.
O FBI atua em apoio técnico, inclusive em perícia digital e rastreamento de armas. A expectativa é que a análise de histórico de navegação, redes sociais e mensagens ajude a esclarecer se houve algum gatilho recente, se a escola era um alvo específico ou se o ataque teve motivação difusa. A polícia também faz um apelo a quem esteve nas imediações da Annunciation Catholic School entre 7h30 e 9h de quarta-feira para compartilhar vídeos ou relatos que ajudem a preencher lacunas na linha do tempo.
As duas vítimas fatais, alunos da escola, estavam sentadas em bancos próximos ao corredor central. O'Hara confirmou que seus nomes e fotos só serão divulgados com autorização das famílias. A escola, que atende crianças da educação infantil ao ensino fundamental, suspendeu as atividades por tempo indeterminado. Técnicos em segurança escolar devem revisar protocolos de acesso, vigilância e circulação em eventos religiosos e comunitários dentro do campus.
A reação de autoridades veio em cadeia. A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, confirmou a identidade da suspeita e chamou a violência de “impensável”, afirmando que o país se solidariza com as famílias e com a comunidade católica. Do Vaticano, o Papa Leo XIV enviou telegrama ao arcebispo de Minneapolis, Bernard Hebda, por meio do cardeal Pietro Parolin, oferecendo condolências, proximidade espiritual e bênção apostólica à comunidade da Annunciation, à Arquidiocese de Saint Paul e Minneapolis e aos moradores da região metropolitana das Twin Cities.
A comoção também mobilizou doadores. A Minneapolis Foundation criou o Minneapolis Annunciation Response Fund para apoiar vítimas e familiares — doações podem ser feitas por SMS com o código informado pela própria entidade. O fundo será administrado em diálogo com a comunidade escolar para distribuição dos recursos conforme as necessidades que surgirem nas próximas semanas.
Para além do choque, a investigação mira respostas objetivas: que arma foi usada, quantos disparos foram feitos, se houve planejamento, e se a autora procurou ou não ajuda antes do ataque. Em casos como este, os investigadores costumam cruzar dados de registros de compra de armas, laudos balísticos e imagens de trânsito para mapear o trajeto do atirador, apontar janelas críticas de oportunidade e, se possível, identificar sinais que poderiam ter acionado alertas de risco.
Diretores de escolas católicas da região relataram que missas de início de ano letivo são práticas comuns e costumam reunir alunos, pais, professores e paroquianos idosos. O uso de janelas amplas em capelas escolares é frequente, o que agora abre debate sobre proteção de vidro, controle de acesso e presença de segurança externa durante eventos abertos. Especialistas em segurança escolar defendem medidas em camadas: vigilância perimetral, protocolos de comunicação rápida, pontos de abrigo e treinamento recorrente de funcionários e alunos — sem transformar a escola em um ambiente hostil.
O impacto emocional é profundo. Crianças e professores expostos a ruídos de disparo e à correria costumam apresentar reações agudas nas primeiras 72 horas: insônia, medo de retornar à escola, hipervigilância. Psicólogos recomendam rotinas previsíveis, escuta ativa e acompanhamento profissional quando necessário. A arquidiocese informou que sacerdotes e capelães estão disponíveis para acolhimento, e que paróquias vizinhas planejam momentos de oração e vigílias ao cair da tarde.
O episódio reacende a discussão sobre violência armada e segurança em ambientes escolares. Minnesota adotou, nos últimos anos, iniciativas de prevenção e de resposta, mas especialistas apontam que a combinação entre acesso a armas e ataques de oportunidade continua sendo um desafio em todo o país. Enquanto o debate legislativo segue polarizado, escolas e comunidades tentam fortalecer redes locais de proteção e de saúde mental para reduzir riscos e responder com mais rapidez a sinais de alerta.
Por ora, a prioridade das autoridades é apoiar as famílias, garantir transparência e fechar as lacunas do caso. A polícia afirma que não há ameaça ativa, mas mantém patrulhamento reforçado perto de escolas e templos. Nos próximos dias, a comunidade deve se reunir em vigílias, e a escola deve organizar um memorial para as crianças que perderam a vida, quando as famílias se sentirem prontas. A cidade, ferida, começa um longo processo de luto e reconstrução emocional — um passo por vez.
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